sexta-feira, 23 de abril de 2010

(des)complicar

 
 


Algumas pessoas são realmente boas em complicar situações que são simples, mas o que é, genuinamente, simples? Passei as últimas horas na tentativa e esperança de encontrar algo não tão complexo, mas que na maioria das vezes é dito como complicado. Atravessar a rua, por exemplo. Aposto que você está pensando: “o que tem de complicado em atravessar a rua?”. Para mim, executar essa ação não é das coisas mais fáceis da minha rotina. Ir da rua da faculdade até a rua da xerox é exigido de mim muita concentração. Desastrada como sou, olho pros lados umas três vezes, procuro se tem bicicletas ou motos na rua, tento imaginar se o carro vai entrar na rua e se o motorista esqueceu de dar sinal (agora você está pensando: “que paranoica”, pois bem, já quase fui atropelada devido ao esquecimento do motorista). Já meu amigo que não tem pudor em cruzar uma avenida com carros movimentos e faixa de pedestre não existe no seu vocabulário, acha engraçado meu medo, ri da minha cara e afirma que tal atitude é de quem é adepta a arte de complicar. Engraçado é, de fato, ele esquecer que em algum momento de “bravura” pode acontecer algo mais grave como um atropelamento. Em contrapartida, ele é adepto a arte de complicar relacionamentos. Até aqueles que não foram consolidados e estão na primeira etapa: cativar. É muito cômodo ficar preso em um casulo esperando as coisas acontecerem. É muito fácil ser alguém difícil e medroso que se esquiva de arriscar, mas reclama que é rejeitado.


Um dos meus rituais diários para aqueles dias reflexivos e introspectivos é procurar na minha estante um dos melhores presentes que já ganhei: o livro com a coletânea dos melhores poemas do Paulo Leminski. O livro que tem a capa amarela, roxa, verde e laranja já me mostrou muitas respostas que estavam óbvias, mas que por ceticismo ou porque passaram despercebidas não enxerguei antes. O ritual consiste em pedir uma resposta mentalmente, abrir em uma página aleatória e tentar entender em qual contexto a poesia exposta se encaixa. E lá estava:


simples
como um sim

é simples
mente
a coisa
mais simples
que ex
iste
assim
ples
mente
de mim
me dispos
des
(aus)
ente

Pra que complicar? Descomplica!

Um comentário:

Edgerson disse...

O complicado faz parte do desafio .
O que para uns é simples .
Para outros ,se torna uma tortura
Se tudo fosse simples .
A vida seria um vilarejo
Porem estamos longe disso
O legal é que podemos aprender uns com os outro .
Eu te ajudo a atravessar a rua .
E você me ajuda a gosta de musicas doidas .
No final o complicado se torna simples .
Daí a gente sai para comemora .
Eu peço um vinho
Você pede um cerveja
Caramba por que não pedimos os dois uma cerveja
Por que eu gosto de cerveja
Pronto complicou .
Daí La vamos nos de novo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Descomplicar o que poderia ser simples