sexta-feira, 28 de maio de 2010

amanhã tem sol.


Final de tarde de uma quarta-feira qualquer. Eu e um amigo estávamos saindo da faculdade, quando um senhorzinho baixinho que trajava camisa social marrom e tinha a barba branca o cutucou, apontou pro céu e disse: “Olhem o céu! Nossas vidas são tão apressadas que a gente nem se lembra de olhar e admirar o céu, não é? Olhem que cor mais linda!”. Eu e meu amigo sorrimos maravilhados com a observação do senhorzinho: sim, o céu estava lindo e, de fato, a gente nem se lembra de admirá-lo.

Já em casa, fiquei horas divagando sobre tamanha beleza que havia compartilhado até que surgiu a sensação de que o tal homem despejou água fria na minha cabeça. As duas últimas semanas foram tão exaustivas, pois todos os dias eu engoli raiva e frustração e estou até agora sem conseguir digerir. Sentimentos negativos acumulados me consomem e dói tanto, interiormente, que sinto um câncer brotando. O senhorzinho de barba branca surgiu naquele momento pra me fazer parar de olhar unicamente pro meu umbigo e notar o meu redor, o mundo, as árvores, os pássaros, o céu cor-de-rosa. Observar, digerir, continuar.

Provavelmente, fosse isto que eu precisava: alguém que me sacudisse e mostrasse que apesar de todos os sentimentos contraditórios e confusos que venho sentindo, preciso olhar pro céu e ter a certeza de que alguma coisa bonita me aguarda.

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