E lá, estava eu mais uma vez. Com as pernas cruzadas e, segurando um copo metade cheio, tagarelando sobre psicologia e mascando um chiclete já sem gosto. E lá, estava eu mais uma vez a esperar que a madrugada fizesse o favor de responder o que tanto anseio em saber. Enquanto ela não me responder, vou continuar a sorrir para as mesmas pessoas e sempre manter o copo metade cheio. Pro meu espanto, ás vezes, ao conversar com as pessoas termino por encontrar alguma característica sua. Sabe o que isso significa? Que você não é único como pensei. E que tenho que me preparar e acostumar a me deparar com alguns fragmentos seus por aí, espalhado pelos cantos e em alguns, quando eu menos esperar. E naquele lugar, estava eu mais uma vez, quando encontrei você no meio da multidão escura e barulhenta. Eu gosto muito do escuro porque nele a cor dos seus olhos não faz diferença. Só eu sei o quanto agradeci depois pelo barulho ter me impossibilitado de vomitar verdades, falar tudo que me dói e não quebrar juramentos internos como me poupar e deixar fluir. Depois desse dia, eu passei a acreditar que a cura pra alguns dos meus males está no silêncio e no saber silenciar. O silêncio evita situações desconfortáveis, maiores ferimentos, e a mentira – sobre mentir, me refiro ao falar coisas que talvez eu nem sinta, mas pelo fervor da discussão ou do diálogo, termino por dizer.
Não adianta recorrer aos livros de auto-ajuda, a terapeuta, a vodca, e nem ser insistente - tais coisas podem ajudar momentaneamente, mas no outro dia não irão fazer diferença, e afirmo isso com a convicção de quem já testou de quase tudo e construiu o castelo e desconstruiu várias vezes, mas só ganhou band-aids como prêmio de consolação. Mas silenciar, eu até então nunca tinha pretenso como solução até o momento em que consegui me calar e, para minha surpresa, eu estava certa quando um dia acreditei ser a cura para alguns dos meus males. Então, me deixa permanecer assim: quieta, com Bob Dylan sussurrando no meu ouvido que vou encontrar a resposta solta pelo vento em algum momento e calada, porque até agora tem dado certo.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Road to nowhere

Minha fase niilista voltou, mas, o que posso fazer se não consigo mais acreditar em nada. Será que é normal não ter mais paciência pra conhecer, e nem se envolver com ninguém? Creio que sim. As pessoas falam coisas sem saber o tamanho que aquilo pode ser. Não tem como não se apegar a uma palavra, quando ela é falada constantemente e com tanta certeza, e nem a uma pessoa, quando ela está sempre sorrindo pra você e falando coisas que todo mundo gostaria de escutar. Claro que já passei por isso tantas outras vezes, mas tem uma hora que cansa. O que me deixa mais p-u-t-a da vida é que durante um bom tempo eu vou escutar aquelas músicas que a gente ouvia, a minha música preferia de uma banda que tocou em uma certo momento, até o meu jingle político preferido(nem isso escapou)e vou lembrar do teu rosto me olhando, dos teus roncos, da voz de criança que você fazia sem notar, do cheiro do teu lençol. Cansei mesmo de tentar entender as pessoas, de querer saber suas estórias & dores & amores, cansei de dormir e acordar esperando alguém, cansei das manias das outras pessoas, de ter que dormir/acordar com alguém, cansei de achar que só eu tive aquele momento “especial”, cansei de viver em um filme onde tudo no final tem que dar certo. Minha vida não é isso, nada ta dando certo no final, se tivesse dando certo não teria final. Não quero mais escrever pensando em ninguém, e nem criar mais frases de efeito pra esquecer deitada no teu peito. Eu não quero mais nada disso. Não, eu não sou amarga (só um pouco) e nem odeio ninguém (só algumas pessoas), eu só cansei desse tipo de jogo, onde quem se mostra primeiro sai perdendo (se fode). Pra acabar com esse texto que não tem nexo nenhum, eu vou pedir um grande favor pra as pessoas que um dia calharem de me conhecer: Não diga que eu sou bonita, não diga que eu sou única/especial/mágica, não diga que eu tenho um sorriso bonito, ou que sou “smart”, não comente que sou pra casar e nem nada do tipo (porque eu sou mesmo), e nem como eu estou bonita com alguma roupa. Cansei desses clichês que as pessoas falam quando não tem nada pra falar. Já escutei tanto essas coisas, e nada deu certo, que começo a achar que é tudo mentira, que nada disso importa. Então quando alguém for me conhecer, seja e fale apenas a verdade, e se não tiver nada a dizer, não repita nada disso, porque eu não sou mágica, e nem o meu sorriso tem poder nenhum.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
(des)encaixe
-Eu deveria selecionar melhor os caras que me relaciono e quero horizontalizar, os que beijo na chuva e os que eu ando de mãos dadas. Eu deveria ter selecionado melhor você.
-Você vai negar que gosta do meu cheiro, da minha cara amassada de sono e de segurar a minha mão?-Passei a desgostar na última vez em que a segurei. Ela se encaixou perfeitamente na minha e eu não quis soltá-la mais. Tenho medo de só me encaixar em você. E na sua mão gelada. E no seu abraço cínico.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
como se livrar de arritmia cardíaca.
Modo de preparo:
1. Misture pessoas, remédios, bebidas, músicas, cheiros e lençóis;
2. Acrescente suas paranóias e tentações;
3. Coloque tudo no liquidificador mental e bata bastante até misturar bem;
4. Saboreie.
Após alguns minutos, você vai sentir piedade de si e uma avalanche de náuseas;
5. Coloque o dedo na garganta e force o vômito.
Você estará limpo.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
romance tuberculoso.
Toda vez que Paula via João, ela morria um pouquinho. Ela se sentia invadida e paralisada por tanta paixão, desejo e remorso, e sem saber como cessar sentimentos tão intensos, às vezes, ela sentia calafrios. Sem conseguir lidar com a presença dele nos lugares, ela bebia vários copos de vodca pura e fumava três cigarros seguidos, quando cumprimentá-lo era inevitável. E morria mais um tanto, nas vezes em que ele logo após cumprimentá-la, puxava conversa enquanto mexia no cabelo dela. Paula sentia uma vontade absurda de sair correndo, pegar um táxi e sumir do mesmo mundo que ele. Ela só queria não ter que fingir que gostava de encontrá-lo nos lugares e que as coisas fluíam naturalmente, sem hipocrisia e desconforto. Na verdade, os flashbacks eram a tormenta de Paula. Doía lembrar-se do cheiro de jasmim que o quarto dele tinha e dos lençóis amarelos quentinhos que estavam mais para ímãs de tão atraentes e da preguiça que ela sentia de levantar-se dali. Doía lembrar-se das cócegas que ele tinha mania de fazer nela, quando eles iam a praia observar o pôr-do-sol. Doía não conseguir admitir a falta que ele faz. Doía não conseguir externar para ele a falta que o mesmo faz e da saudade que ela sente das cócegas, do lençol amarelo e do cheiro de jasmim. Doía a sensação de morte dosada. Doía também a cabeça, quando Paula acordava de ressaca após encontrá-lo. Doía em Paula ter que se contentar com o que restou: o gosto de passado na boca e João como assombração.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
love is all you need.
O amor é atemporal. Que mania tola que as pessoas têm de achar que amor é imaculado e não fere. Claro que machuca. Amar dói. Talvez porque as pessoas não tenham a noção exata da intensidade do sentimento e, conseqüentemente, o destroem e o sentimento amarga e se despedaça, sobrando apenas cacos finos e firmes que dão pontadas e rasgam. O amor é o que todos procuram e buscam, porque todos têm a ilusão que amar e ser amado são felicidade plena e a melhor coisa do mundo. E deve ser já que ninguém cansa de procurá-lo ou aceitá-lo de volta. Amor me intriga porque pode ser complexo e simples ao mesmo tempo e faz com que tudo deixe de importar: dias, meses, minutos, segundos...
A vida, enfim, chega a fazer sentido por completo. Preciso de alguém pra dividir o tédio, o saco de pipoca no cinema, as poesias de Paulo Leminski, o pedaço da minha torta de morango preferida e os filmes de Kubrick. Já fiz um juramento que ninguém mais vai estragar minhas músicas, pois é sempre assim: eu divido meus discos, as músicas que mais gosto, cada pedacinho, cada acorde e eles se vão fisicamente, mas ficam grudados como recordação nas músicas que dividi. Preciso de endorfinas. E de pessoas. Mas não quero precisar de nada. Não quero me repetir.
É tudo culpa dos Rolling Stones que me fizeram acreditar que: “I need a love to keep me happy”.
domingo, 20 de junho de 2010
20/06

Dia 20 de junho, uma data que vai ficar se não pra sempre, mas por um bom tempo na minha vida. Como vai ser difícil olhar esse dia no calendário, e saber que foi um dos melhores e piores dias do ano. Nesse dia eu abri os braços pra a maior felicidade que se pode ter na juventude, e pra a maior decepção que um amor pode causar. Nesse dia eu nem imaginava o que aconteceria dois meses adiante, e o quanto iria me marcar. Nesse dia meu me senti a pessoa mais amada, mais querida, mais acolhida e completa. Sessenta dias depois eu era a humilhada, a enganada, a personificação do bobo da corte. Eu poderia resumir os últimos trezentos e quarenta e quatro dias como os mais felizes e os mais pesados de anos pra cá. Como dói acordar alguns dias e notar a falta de algo, como dói relembrar toda a história, como dói saber que já passou, e se fosse pra voltar ao tempo seria da mesma forma. É gratificante saber que esses vinte e um dias eu consegui amenizar essa dor que tanto me dói, essa falta de uma voz, de uma palavra, ou até da ausência dela. A minha cama continua vazia de você, vazia dos teus roncos, vazia das nossas brincadeiras, minha cama agora é um poço de recordações. Quantas vezes eu já não tive vontade de sair rasgando o tecido, retirar as espumas, pra ver se acontecia o mesmo com as minhas memórias. Mas se fosse assim, teria que ter uma nova cama, um novo quarto, uma nova vida, um novo nome. Não consigo fazer essa mutação, não agora. Pode ser que eu mude meu quarto, pode ser que mude até de endereço, meus sentimentos também podem mudar, mas o meu nome continua o mesmo: amor. Sabe, não adianta agora, que algum tempo já se passou, que algumas coisas mudaram, você me mandar mensagem falando de saudade e esperando a minha resposta. Nunca mais vou te responder, nunca mais vou responder o chamado do “amor” que você emite, porque de alguma forma esses poucos dias sem a tua presença me fizeram ver que sou uma pessoa maior, que o mundo é grande, que posso crescer com ele, e que a cada dia a dor de não te ter diminui. Obrigada você, por ter me dado o seu “amor”, o seu “carinho” e sua “sinceridade”, de mim teve o que podia, o que não podia. Obrigada por ter me mostrado de uma certa forma o que quero pra minha vida, e o que não fazer com outra pessoa. Daqui a alguns anos vamos ser apenas bons conhecidos, minhas mãos não serão mais inquietas e suadas ao te ver, meu coração continuará a bater da mesma forma, ou até mais brando. Mas por enquanto, todo dia vinte e um de cada mês do ano será um dia de silêncio, de melancolia. Nunca vou esquecer do dia vinte e um de junho, onde seus olhos estavam cheios de promessas vazias, e o meu coração cheio de esperança.
365 dias sem ele.
Eu fecho os olhos e dói. Levando o braço direito e dói. Mexo-me no sofá e sinto dores nas costas. Talvez o meu corpo esteja alertando pra diminuir o ritmo, as bebidas, os excessos, antecipar a hora de voltar pra casa. O que importa é que meu corpo está sentindo a dimensão da dor que meu coração sente. Pela primeira vez os dois estão em harmonia e igualdade.
Um ano. Um ano e alguns dias que olhei pela última vez os olhos azuis mais bonitos e singelos que já vi. Um ano que eu, finalmente e infelizmente, soube o que é perder alguém. Alguém que foi essencial para eu me tornar o que sou e me ajudou a andar, formar minha personalidade e esteve junto a mim durante dezenove anos. Um ano que pela primeira vez chorei sozinha e descontrolada no escuro de tristeza - uma parte de mim se foi junto a ele - e alívio - pela as dores e sofrimentos suportados por ele terem cessado. Um ano que entro no quarto da poltrona rosa mais incrível e confortável, ninguém está deitado na cama esperando por um beijo, pois a mesma está vazia e ele não está mais lá como nos últimos anos. Ás vezes, eu me sento na poltrona e fico olhando para o teto esperando ouvir passos no chão até que percebo que ele não está tomando banho e nem está em outro cômodo da casa. Ele se foi, mas está imortalizado para quem o conheceu ou passa pela rua que leva o nome dele.
O tempo passa, podemos não perceber, mas o corpo e o coração vão sempre fazer o favor de nos lembrar.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
esboço de uma teoria das relações geminianas
Enquanto lia o horóscopo de gêmeos, me deparei como os geminianos se relacionam entre si no amor: “Dois volúveis que dificilmente se complementam se cada um não estudar a si próprio, para entender o outro. Vão se regozijar mais com a aventura e o sentido do humor que com a paixão em si mesma”.
Me identifiquei instantaneamente. Não consigo me relacionar com homens geminianos por muito tempo, todos os pseudo-relacionamentos que tive com eles não chegaram a ser concretizados.
O primeiro geminiano surgiu, quando a bagunça imperava. Minha vida estava fora do lugar e eu era uma adolescente medrosa, mas que se achava corajosa. Enfim, ele encontrou alguém que tentava se descobrir. As atitudes que eu tomava para surpreendê-lo me faziam sentir estúpida, mas eu não desistia e insistia insistia insistia nele. Ele quase me enlouqueceu, pois fazia o joguinho típico de adolescente de deixar o outro na dúvida e confuso que me irritava e logo ele, que compartilhava do mesmo signo que eu, deveria saber que geminianos não sabem conviver com a incerteza. Eu não conseguia estudar e nem fazer qualquer atividade bem feita e só pensava no dia seguinte para encontrá-lo. Eu impaciente, ele focado nos estudos, eu com pressa, ele sem pressa, dois inconstantes, diálogos forçados e bobos, pensamentos distintos, prioridades opostas: não perdurou. A pior coisa que ele fez foi ter tirado a graça de Stairway to heaven. Passamos um tempo sem nos ver e conversar, até que ele resurgiu das cinzas. Atualmente, ele tenta mostrar ser dócil e meu amigo (o que tem me intrigado porque ambos sabemos que nunca fomos amigos).
O segundo geminiano foi bem diferente do primeiro, tanto fisicamente quanto intelectualmente, mas também não foi além de me despertar sentimentos contraditórios. No íncio, eu me sentia idiota por não conseguir responder as perguntas que ele fazia e o pior é que eu gostava de me sentir assim, porque ele conseguia me cativar. Ele costumava receber como resposta para algumas perguntas que eu não conseguia responder, um sorriso. Eu conseguia entendê-lo bem, mas ele não me entendia. Ele fazia esforço para me decifrar e entender o que estava nas entrelinhas através de sinais, toques de mão e cores de esmalte. Ele dizia que conseguia entender meu humor pelas cores que eu pintava. Mal sabia ele que na maioria das vezes palpitava errado. Confesso que não fui a pessoa mais sincera, previsível, disposta a arriscar e ser decifrada. Ele quase me levou a loucura pelas cobranças feitas, tentativas de me fazer acreditar que estava sempre errada e por ter conseguido que eu me sentisse péssima várias vezes. Admito que perco o encanto fácil, não aprendi a estabilizar o humor, não gosto de rotina e ver alguém que me interessa todos os dias e ter que agir como ele espera me cansa e cansou. Não houve evolução na relação porque ele não soube compreender meu ostracismo. Se antes já não era fácil ouvir Radiohead, depois dele piorou. Inevitalmente, quando qualquer música toca, me vem a cabeça a barba dele.
O terceiro geminiano teve uma participação relâmpago na minha vida. Quer dizer, mais ou menos. Quando o conheci, eu estava desiludida, destruída e tentava me recuperar de uma frustração. Estávamos em um lugar barulhento e minúsculo que tocava Madonna e ele me abraçou, disse baixinho: “vai passar vai passar porque tudo na vida passa, a questão é manter o foco no que trás felicidade” e acreditei. Não sei se fui facilmente acalentada porque estava bêbada ou por ele ter parecido sincero, compreensivo e comovido – como se já tivesse passado por labirintos mentais insuportáveis - e eu precisava compartilhar tal sentimento com alguém que entendesse o que eu estava sentido e, naquele momento, encontrei conforto em abraços de um estranho. E foi isto o que ocorreu na noite em que o conheci: dois abraços. Dias depois, o encontrei ocasionalmente e conversamos horas a fio e a partir daí começamos a manter contato. Após alguns meses, ele ainda conseguia manter a imagem que tive dele no dia em que o conheci por acaso: sincero e compreensivo. E interessante.
Como a vida faz questão de ser engraçada e, por vezes, repetitiva, ele quase me enlouqueceu. De raiva.
A opinião formada que eu tinha dele perdurou até o dia em que ele quase me atropelou.
Não sei se a culpa é do acaso, universo, dos astros ou da minha falta de sorte. A questão é: geminiano e geminiana não conseguem ter um relacionamento tranqüilo, pois juntos formam um vulcão: as erupções são imprevisíveis e causam danos irreversíveis.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
"He’s so heavy "
Assinar:
Postagens (Atom)







