sexta-feira, 6 de maio de 2011

o cansaço.


a gente vai cansando de ter diálogos forçados com pessoas desinteressantes, ter que cumprimentar quem a gente odeia e sorrir como se a vida fosse flores.
a gente vai cansando de esperar de segunda a sexta a hora que o expediente termina. e vai cansando de ter dor na coluna, ter que fazer feira, ir ao salão fazer pé, mão e depilação.
a gente vai cansando de ouvir o Sgt Pepper's, comer sempre o mesmo sabor de pizza, beber a mesma marca de cerveja e ter ressaca nos finais de semana.

a gente vai cansando de fingir que está feliz, quando estamos desabando. a gente vai cansando de sentir angústia, ansiedade, remorso, medo. a gente vai cansando de se justificar, do esforço diário para continuar lúcido, de procurar a felicidade plena.

e a gente vai cansando de esperar esperar esperar
que o tempo
pare
ou
passe.

a gente vai cansando cansando cansando cansando de cansar.

até que a gente trava.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

inefável.


Ontem, eu apaguei um cigarro no meu braço só para sentir arder, me sentir ainda mais viva e acreditar que o turbilhão dentro de mim é real. Fico assustada quando percebo que evolui em tão pouco tempo de iceberg humano a sentimental e como você deixou de ser uma parte em mim e se tornou inteiro. “Todos podiam ser incríveis como você e não são”. E nunca serão, pois só você consegue ser ácido sem deixar de ser benevolente. Falar as frases mais lindas do mundo sem parecer bobo. Me surpreender todos os dias. Todos os dias. E tantas outras coisas que eu poderia fazer uma lista imensa.
Ás vezes, eu quero te sacudir e pedir uma explicação de como você consegue beirar o inacreditável, mas a resposta é clara: sendo você. Sendo esse alguém que quanto mais conheço, mais gosto e que eu poderia passar o dia inteiro contemplando. Em silêncio. Só olhando e apertando as bochechas rosadas. Meu estômago embrulha toda vez que penso na sorte que tive de te conhecer.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

QUE SE FODA!


Que se foda! Já está tudo fodido como sempre. Porquê será a vida assim, e o caminho tão rigoroso? Estou cansada de tudo isso. Estou cansada de mim, estou cansada das pessoas, dos sentimentos, de respirar, de comer, de ter que sorrir, to cansada de viver essa vidinha de merda e ter que me conformar com toda essa podridão. Chafurdem na lama agora, com todos esses momentos que não nos servem de nada, toda essa esperança infantil, todas essas coisas demasiadamente bonitas e alegres. Nada é assim, nada funciona dessa forma. Devemos nos acostumar a esse caos que vivemos, porque ele sim é a pura realidade. Vamos deixar os amores pros contos, que lá sim eles são bem representados, porque aqui e agora é uma coisa que não está, e nem n-u-n-c-a vai funcionar.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

disseminando paulo leminski.

          A obra de Paulo Leminski é tão incrível que sinto prazer em disseminá-la e, como ter frases nas portas do guarda-roupa e a pele marcada é insuficiente resolvi compartilhar por aqui também:













quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

eu não quero ter alzheimer.


Dizem que a memória humana é uma máquina de tirar retratos e nesses últimos dias eu tirei a foto mais bonita: você com o braço esquerdo no meu ombro, de frente para o mar, ansiando em ver uma estrela-cadente no céu enquanto tocava Vienen Bajando. Até que você viu três estrelas-cadentes. Eu não tive a mesma sorte. Não sei qual foi o pedido que você fez, mas eu pediria que você não tirasse mais o braço do meu ombro.

Lembro quantos sentimentos bons eu senti quando vi você tocar Island in the Sun pela primeira vez. Eu nunca te disse, mas relembrar esse momento é a cura do meu tédio. Penso que para guardar todas as imagens bonitas que tenho registrado mentalmente até agora - como você correndo na chuva de peito estufado e jogando dominó com o sorriso sonolento mais bonito que já vi - eu preciso comprar um álbum de fotografias do tamanho do estádio do Sport. Ou torcer para nunca ter Alzheimer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vício.




E agora, bem devagar você sussurra no meu ouvido: “Let’s defrost, in a romantic mist. Let’s get crossed off everybody’s list, to celebrate this night we found each other. Let’s get lost.” E girando a cabeça quase que imediatamente eu respondo: já estou.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para 2011 (parte 2) :


Esse vai ser o ano que vou abrir meu armário, tirar toda a poeira, e deixar o sol entrar. Deixá-lo aquecer tanto, ao ponto de todo o cheiro de mofo e guardado passa a não mais existir. Quero sentir mais, permitir mais e sofrer menos. Hoje sim, vou contar os segundo pra 2010 passar, e passar logo sem deixar mais feridas. Esperança, é o que vou ter.

domingo, 26 de dezembro de 2010

sobre perda que não se supera.

Três meses e meus olhos ainda lacrimejam quando falo de você e do quão incrível você era. Eu gostava muito de chegar à sua casa e encontrar você na cadeira de balanço com massageador para pés assistindo televisão. Quando você assistia futebol sempre tinha um copo de uísque ao lado e muito queijo e amendoim.  Se fosse jogo do Vasco, eu ainda ganhava bombons de caramelo no final da partida. Eu nunca mais comi aqueles bombons... Confesso que achava engraçado ouvir você chamar alguém de “cidadão”, pois das pessoas que eu conheço você era o único que usava tal expressão. Lembro bem das brincadeiras com sagüis, da paixão por Frank Sinatra e cerveja, das histórias no Rio de Janeiro, dos almoços, dos jogos de baralho e comer canjica até sentir enjôo, dos passeios de barco e do dia que acabou a gasolina da lancha e ficamos parados no mar por quase uma hora, e meu Deus, é tanta coisa que me lembra você que deve ser por isso que não tem um dia que eu não passe menos de meia hora te dando vida no pensamento: você era uma das minhas três pessoas preferidas no mundo. E quando você ganha vida na minha cabeça, eu sinto uma avalanche de sentimentos bons, mas quando me deparo com a realidade o que sinto é uma mistura de amor com dor. Ou dor de amor. E muita saudade. Três meses e a ferida não cicatrizou. Três meses e ainda acredito que vou te ver a qualquer momento e falar “boa noite, vovô”.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

para 2011:



Reclamar menos, desapegar mais, confiar menos, se motivar mais, se justificar menos, exigir mais, suportar menos, digerir mais..

domingo, 12 de dezembro de 2010

I was dreaming of the past, and my heart was beating fast

E logo eu, que quis gritar tanto o teu nome por aí. Quase como um camaleão, ia me adequando a cada coisa nova que descobria sobre você. Sabe, deveria ser proibido pra qualquer tipo de casal aquele nosso encontro, aquela nossa noite. Você não me disse quase nada, eu muito menos. Mas algo ficou implícito pra mim. Às vezes quando vou dormir lembro daquela noite, daqueles beijos que eu adoraria receber sempre, das tuas mãos e do teu sorriso (que eu acho tão lindo, e concordo que não deveria mostrar pra qualquer pessoa, porque de certa forma eu tenho ciúmes), da tua cara de sono. Queria saber onde tudo isso foi parar.


I was feeling insecure; you might not love me anymore. I was shivering inside... i'm just a jealous guy.