sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para 2011 (parte 2) :


Esse vai ser o ano que vou abrir meu armário, tirar toda a poeira, e deixar o sol entrar. Deixá-lo aquecer tanto, ao ponto de todo o cheiro de mofo e guardado passa a não mais existir. Quero sentir mais, permitir mais e sofrer menos. Hoje sim, vou contar os segundo pra 2010 passar, e passar logo sem deixar mais feridas. Esperança, é o que vou ter.

domingo, 26 de dezembro de 2010

sobre perda que não se supera.

Três meses e meus olhos ainda lacrimejam quando falo de você e do quão incrível você era. Eu gostava muito de chegar à sua casa e encontrar você na cadeira de balanço com massageador para pés assistindo televisão. Quando você assistia futebol sempre tinha um copo de uísque ao lado e muito queijo e amendoim.  Se fosse jogo do Vasco, eu ainda ganhava bombons de caramelo no final da partida. Eu nunca mais comi aqueles bombons... Confesso que achava engraçado ouvir você chamar alguém de “cidadão”, pois das pessoas que eu conheço você era o único que usava tal expressão. Lembro bem das brincadeiras com sagüis, da paixão por Frank Sinatra e cerveja, das histórias no Rio de Janeiro, dos almoços, dos jogos de baralho e comer canjica até sentir enjôo, dos passeios de barco e do dia que acabou a gasolina da lancha e ficamos parados no mar por quase uma hora, e meu Deus, é tanta coisa que me lembra você que deve ser por isso que não tem um dia que eu não passe menos de meia hora te dando vida no pensamento: você era uma das minhas três pessoas preferidas no mundo. E quando você ganha vida na minha cabeça, eu sinto uma avalanche de sentimentos bons, mas quando me deparo com a realidade o que sinto é uma mistura de amor com dor. Ou dor de amor. E muita saudade. Três meses e a ferida não cicatrizou. Três meses e ainda acredito que vou te ver a qualquer momento e falar “boa noite, vovô”.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

para 2011:



Reclamar menos, desapegar mais, confiar menos, se motivar mais, se justificar menos, exigir mais, suportar menos, digerir mais..

domingo, 12 de dezembro de 2010

I was dreaming of the past, and my heart was beating fast

E logo eu, que quis gritar tanto o teu nome por aí. Quase como um camaleão, ia me adequando a cada coisa nova que descobria sobre você. Sabe, deveria ser proibido pra qualquer tipo de casal aquele nosso encontro, aquela nossa noite. Você não me disse quase nada, eu muito menos. Mas algo ficou implícito pra mim. Às vezes quando vou dormir lembro daquela noite, daqueles beijos que eu adoraria receber sempre, das tuas mãos e do teu sorriso (que eu acho tão lindo, e concordo que não deveria mostrar pra qualquer pessoa, porque de certa forma eu tenho ciúmes), da tua cara de sono. Queria saber onde tudo isso foi parar.


I was feeling insecure; you might not love me anymore. I was shivering inside... i'm just a jealous guy.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sístole, diástole.


Acelera, acalma, entra no ritmo e sai dele.
Quase sai pela boca, quase para de bater, quase denuncia e repousa.
Apaixona-se, ama, ama mais ainda e sofre.
Nega, mente, renuncia e aceita.
Dói, suspira, para, reanima.
E mesmo assim, ainda consegue forças pra guardar coisas e seguir em frente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Troca-troca


Ta tudo indo muito rápido, coisas acontecendo a cada segundo. Todo dia acordo e não sou a mesma de ontem; meu cabelo muda, minha voz muda, meu peso muda, minha maquiagem muda, minhas músicas, meus gestos, meus cigarros e meus isqueiros, meus lugares preferidos, minhas comidas, meus amigos, minhas crises, meus planos e meus amores. Se hoje digo um “te amo”, amanhã pode ser um adeus, se hoje digo que estou com saudades, amanhã posso estar com outra pessoa. Sou inconstante, inquieta, indiferente, burra, benevolente, inconsequente, entre outras coisas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pintando de branco, preto e vermelho.


O verdadeiro palhaço de circo.
Que por traz dos sorrisos e brincadeiras, esconde a chaga aberta, e a dor que deveras sente.
Pinta a face toda noite, reinventa uma pessoa á cada camada de pó, faz o esboço de um sorriso. Falso.

Notas sobre Clarice e pessoas como ela.

Pessoas como eu deveriam hibernar em certas épocas do ano. Custo a acreditar que o mundo é assim e que nada posso fazer para mudá-lo, na verdade gostaria de mudar as pessoas ao meu redor, a forma de pensar e agir. Penso por muitas vezes que vivo isolada em um mundo que é apenas meu, onde durmo na hora que as pessoas acordam, e acordo quando elas dormem. Penso várias coisas noite adentro sozinha, fumando mais um cigarro na minha janela, olhando um pouco da paisagem da minha rua, e pensando: quando algo vai acontecer? Vez em quando penso que o mundo parou pra mim; vez em quando penso que quero uma coisa, e momentos depois já não a quero. Sinto muito medo de querer bastante e não ter nada, sinto medo de ser só, de estar só por muito tempo. Pessoas como eu sentem a necessidade de compartilhar seus pensamentos com outras, e quase sempre isso não da certo. Pessoas como eu são feridas por outras constantemente, e ainda por mais que isso seja masoquista, elas necessitam. Eu, Clarice, preciso sentir aquela dor que da coragem pra seguir em frente, que torna a pessoa produtiva, que te faz focar em outras coisas. Eu preciso de um tempo pra sarar as minhas chagas, as feridas que outras pessoas fizeram em mim, e que eu mesma fiz.



“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

sobre silenciar depois de tirar do jardim a rosa.

E lá, estava eu mais uma vez. Com as pernas cruzadas e, segurando um copo metade cheio, tagarelando sobre psicologia e mascando um chiclete já sem gosto. E lá, estava eu mais uma vez a esperar que a madrugada fizesse o favor de responder o que tanto anseio em saber. Enquanto ela não me responder, vou continuar a sorrir para as mesmas pessoas e sempre manter o copo metade cheio. Pro meu espanto, ás vezes, ao conversar com as pessoas termino por encontrar alguma característica sua. Sabe o que isso significa? Que você não é único como pensei. E que tenho que me preparar e acostumar a me deparar com alguns fragmentos seus por aí, espalhado pelos cantos e em alguns, quando eu menos esperar. E naquele lugar, estava eu mais uma vez, quando encontrei você no meio da multidão escura e barulhenta. Eu gosto muito do escuro porque nele a cor dos seus olhos não faz diferença. Só eu sei o quanto agradeci depois pelo barulho ter me impossibilitado de vomitar verdades, falar tudo que me dói e não quebrar juramentos internos como me poupar e deixar fluir. Depois desse dia, eu passei a acreditar que a cura pra alguns dos meus males está no silêncio e no saber silenciar. O silêncio evita situações desconfortáveis, maiores ferimentos, e a mentira – sobre mentir, me refiro ao falar coisas que talvez eu nem sinta, mas pelo fervor da discussão ou do diálogo, termino por dizer.
Não adianta recorrer aos livros de auto-ajuda, a terapeuta, a vodca, e nem ser insistente - tais coisas podem ajudar momentaneamente, mas no outro dia não irão fazer diferença, e afirmo isso com a convicção de quem já testou de quase tudo e construiu o castelo e desconstruiu várias vezes, mas só ganhou band-aids como prêmio de consolação. Mas silenciar, eu até então nunca tinha pretenso como solução até o momento em que consegui me calar e, para minha surpresa, eu estava certa quando um dia acreditei ser a cura para alguns dos meus males. Então, me deixa permanecer assim: quieta, com Bob Dylan sussurrando no meu ouvido que vou encontrar a resposta solta pelo vento em algum momento e calada, porque até agora tem dado certo.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Road to nowhere


Minha fase niilista voltou, mas, o que posso fazer se não consigo mais acreditar em nada. Será que é normal não ter mais paciência pra conhecer, e nem se envolver com ninguém? Creio que sim. As pessoas falam coisas sem saber o tamanho que aquilo pode ser. Não tem como não se apegar a uma palavra, quando ela é falada constantemente e com tanta certeza, e nem a uma pessoa, quando ela está sempre sorrindo pra você e falando coisas que todo mundo gostaria de escutar. Claro que já passei por isso tantas outras vezes, mas tem uma hora que cansa. O que me deixa mais p-u-t-a da vida é que durante um bom tempo eu vou escutar aquelas músicas que a gente ouvia, a minha música preferia de uma banda que tocou em uma certo momento, até o meu jingle político preferido(nem isso escapou)e vou lembrar do teu rosto me olhando, dos teus roncos, da voz de criança que você fazia sem notar, do cheiro do teu lençol. Cansei mesmo de tentar entender as pessoas, de querer saber suas estórias & dores & amores, cansei de dormir e acordar esperando alguém, cansei das manias das outras pessoas, de ter que dormir/acordar com alguém, cansei de achar que só eu tive aquele momento “especial”, cansei de viver em um filme onde tudo no final tem que dar certo. Minha vida não é isso, nada ta dando certo no final, se tivesse dando certo não teria final. Não quero mais escrever pensando em ninguém, e nem criar mais frases de efeito pra esquecer deitada no teu peito. Eu não quero mais nada disso. Não, eu não sou amarga (só um pouco) e nem odeio ninguém (só algumas pessoas), eu só cansei desse tipo de jogo, onde quem se mostra primeiro sai perdendo (se fode). Pra acabar com esse texto que não tem nexo nenhum, eu vou pedir um grande favor pra as pessoas que um dia calharem de me conhecer: Não diga que eu sou bonita, não diga que eu sou única/especial/mágica, não diga que eu tenho um sorriso bonito, ou que sou “smart”, não comente que sou pra casar e nem nada do tipo (porque eu sou mesmo), e nem como eu estou bonita com alguma roupa. Cansei desses clichês que as pessoas falam quando não tem nada pra falar. Já escutei tanto essas coisas, e nada deu certo, que começo a achar que é tudo mentira, que nada disso importa. Então quando alguém for me conhecer, seja e fale apenas a verdade, e se não tiver nada a dizer, não repita nada disso, porque eu não sou mágica, e nem o meu sorriso tem poder nenhum.