sexta-feira, 11 de junho de 2010

Quase uma sombra.


Queria saber o porquê de le moulin do Yann Tiersen me lembra tanto você. Poderia passar horas a fio escutando e imaginando teu rosto, que normalmente é o que faço. Chega a ser doentio ficar pensando como o seu sorriso amarelado por tanta nicotina é tão convidativo durante o dia, ou o seu silêncio durante a noite é tão charmoso. Por muitas vezes desejei ser assim como você, pra conseguir por um segundo entrar no teu mundo. Eu precisava dizer em algum lugar, e a qualquer hora o quanto você é bonito, quanta felicidade te aguarda, quantas pessoas melhores e maiores você irá conhecer, o quanto você pode fazer, e abrir os teu olhos; porque o mundo é enorme, que andar pra trás não adianta muita coisa, que sempre vai ter alguém te olhando de longe, te dando apoio de longe, te achando lindo e tudo mais de longe, que morre de vontade de falar todas essas coisas pra você com uma distancia máxima de 3 milímetros da tua boca, e que perde várias horas do dia pensando em como seria receber um sorriso teu.

Desabafo


Ontem eu senti uma coisa inexplicável, eu sentia dor, amor, compaixão, remorso, ódio. As paredes do meu quarto pareciam me sufocar, as janelas soavam como única saída, e por um momento considerei a hipótese de abrir-las e me jogar. Desfrutei de um sentimento de loucura e descontrole, de indignação. Na verdade eu nem sei explicar ao certo o que senti, mas juro que não quero voltar a senti-lo novamente. E nesse momento o desespero tomou conta de mim, eu não conseguia pensar e nem respirar direito, deitei na cama e tentei ler algumas páginas de misto quente, mas não consegui. Uma agonia, um enjôo tomava conta de mim. Era uma vontade quase que louca de sair gritando. Minha vontade naquele momento era gritar, morrer de gritar, esvaziar tudo o que tinha dentro de mim, preso, guardado, tantas coisas que algumas já estavam quase mofadas. Na verdade a minha vontade era de chegar ai na tua casa, bater na tua porta, e em seguida na tua cara; nessa cara lisa e descarada, de quem mente e não sente, de quem acha sempre uma saída. Mas ainda bem (não por mim, por você e pela sua integridade física) que o que me ocorreu ontem foi apenas um surto, que não voltara mais a acontecer. Acho que precisei dele pra me libertar, pra saber de verdade e muito bem o que não quero pra mim. Basta! Aquela foi a minha primeira e única dose de desespero. Enquanto a você, eu gostaria de verdade que tomasse um rumo na vida, que parasse de mentir tanto e fosse mais homem, que honrasse a pequena parte que tens entre as pernas. Na verdade quem está mentindo agora sou eu. Pra ser sincera eu queria que você pagasse por tudo o que fez comigo, que fosse pra a casa do caralho, pro raio que o parta e que fosse atingido, perdesse parte do lóbulo temporal e que não lembrasse de mim pro resto da sua vida.

"Algumas pilhas de lixo sentimental"


Olho pro meu quarto e vejo livros de uma lado, garrafas fazias do outro, roupas espalhadas, cama desforrada, e chego a pensar que o estado do quarto é uma representação do que acontece dentro de mim. Seria bem simples se eu pudesse pagar a alguém pra arrumar tudo, mas não da. Achar que uma segunda pessoa vai por tudo em ordem é perda de tempo. Tenho que acreditar mais em mim, aprender a fazer eu mesma as minhas coisas, ter mais esperança. Por esses dias eu li uma coisa, e como num piscar de olhos eu entendi tudo. Na verdade eu sempre estou na espera de uma terceira pessoa pra limpar a bosta que uma segunda pessoa fez, e assim começar a desorganizar tudo novamente. O meu problema é tempo, é saber esperar, saber aproveitar cada segundinho. Mas fazer o que se sou toda amor, se o que falta em algumas pessoas sobra ( e muito) em mim? Vou trocar a minha compulsão de amores por organização. Seria uma boa escolha.

terça-feira, 8 de junho de 2010

gelado dentro, gelado na xícara


Pode deixar, vou assumir todos os seus erros, responder por eles, levar toda culpa. Porque no fundo não importa, não faz diferença. Nada está fazendo diferença pra mim. Eu não ligo pra nada, pra ninguém, nem pra mim. Não ligo nem para os meus sentimentos, eles que se sufoquem. Não ligo mais para as injustiças presentes debaixo da minha janela nem para o assalto ocorrido na esquina imunda, se o que estão falando de mim é bom ou ruim ou me criticam na minha cara. Não ligo pra o que meus pais falam, se como muito e durmo pouco e se as minhas olheiras me deixam com uma aparência escrota, se minha pele está ou não oleosa e as espinhas estão nascendo com freqüência e nem para o esmalte vermelho descascado. Não ligo para as notícias de guerra, fome ou pobreza nos noticiários, se o Bob Dylan vai lançar outro livro ou não; se faz chuva, sol, frio ou calor; não ligo que minhas pernas estejam com marcas roxas das batidas que dei de madrugada e nem de estar em uma festa com milhares de pessoas a minha volta e ficar afastada delas, sozinha sentada em uma cadeira com um copo de vodca com morango na mão ou em pé, forçando que meu corpo se sintonize a música. Sinceramente, nunca liguei. Não ligo se alguém fala que vai me ligar e não liga e nem de estar um pouco calada ultimamente, não ligo para sensações, para mentiras, para verdades, para a cor do céu, para o menino que faz acrobacias com fogo no sinal, nem de escrever usando metáforas. Está tão sério que nem ligo se o café está gelado, amargo ou sem açúcar.

domingo, 6 de junho de 2010

“sinto amores e ódios repentinos por você".


São quatro horas e trinta e dois minutos da manhã, cheguei a alguns minutos em casa, abri a geladeira, peguei um pedaço de torta, mas perdi o apetite quando li a mensagem de texto que você enviou. Veja bem: a minha resposta não cabe em mensagens de texto, eu poderia escrever trinta mensagens que todas elas seriam insuficientes para descrever o que pensei e desejo falar. Eu poderia ligar pra você agora, não é? Mas não vou. Preferi beber um copo de água, tomar banho e fingir que o conteúdo da mensagem não me fez pensar e ter vontade de externar alguns fatos. Eu gostava dos beijos na cabeça que recebia de cumprimento, de conversar sobre filmes que nem foram lançados, da sua companhia na esquina daquela rua que conhecemos muito bem, dos sorrisinhos envergonhados, do impacto que a sua sinceridade me causava, das conversas bêbadas, do fato de você escrever com a mesma mão e ter o mesmo signo que eu (na verdade, me assustava). Aparentemente, isso deveria bastar para eu ter vontade de iniciar uma nova relação e me entregar a ela, não deveria? Mas não bastou. Descrevo nossa relação em uma palavra: sintonia.

Consegui perceber que por trás do fone de ouvido que tocava Radiohead tinha uma criança.
Mais de vinte invernos na teoria, entretanto na prática... mentalidade de dezessete anos. Alguns planos, sede por viver, vícios. Você é vários problemas vestidos de gente. Por um tempo, pensei que os vícios eram passageiros e forçados, culpa da crise dos vinte anos ou desejo de se afirmar. Depois percebi que eles fazem parte de você e da sua parte ruim.
Sabe o que me passou pela cabeça agora? O quanto eu sou idiota já que na mensagem não tinha nem cinco palavras e estou aqui, fazendo um esclarecimento desnecessário e inútil. Sim, inútil, pois não vai mudar minha opinião e o que sinto, senti, sintamos. Sabe o que eu quero? Que você me evite. Prefiro que você finja que não me conhece e vire o rosto do que continue com esses joguinhos de mensagens e frases bem articuladas. Afinal de contas, você não está felicíssimo, bem acompanhado e resolvido como aparenta? Cansou de se fingir de bonzinho e mostrar que é cafajeste? Uma amiga minha certa vez me disse: “Ele não deve ser tão bonzinho como parece” e ainda bem que não duvidei dela. Eu deveria ter guardado essa afirmação pra falar pessoalmente, olho no olho, ouvindo sua respiração e vendo sua reação, mas honestamente espero não ter esse tipo de conversa com você e nem qualquer conversa que envolva frases no plural e relembrem o passado.
Quer saber? Vou apagar tudo que escrevi e não vou responder a mensagem por ter certeza que vamos ficar numa gangorra, pois você vai responder de volta e vamos trocar diversas frases que não foram espontâneas e verdadeiras e prefiro ser a primeira a descer da gangorra.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

amanhã tem sol.


Final de tarde de uma quarta-feira qualquer. Eu e um amigo estávamos saindo da faculdade, quando um senhorzinho baixinho que trajava camisa social marrom e tinha a barba branca o cutucou, apontou pro céu e disse: “Olhem o céu! Nossas vidas são tão apressadas que a gente nem se lembra de olhar e admirar o céu, não é? Olhem que cor mais linda!”. Eu e meu amigo sorrimos maravilhados com a observação do senhorzinho: sim, o céu estava lindo e, de fato, a gente nem se lembra de admirá-lo.

Já em casa, fiquei horas divagando sobre tamanha beleza que havia compartilhado até que surgiu a sensação de que o tal homem despejou água fria na minha cabeça. As duas últimas semanas foram tão exaustivas, pois todos os dias eu engoli raiva e frustração e estou até agora sem conseguir digerir. Sentimentos negativos acumulados me consomem e dói tanto, interiormente, que sinto um câncer brotando. O senhorzinho de barba branca surgiu naquele momento pra me fazer parar de olhar unicamente pro meu umbigo e notar o meu redor, o mundo, as árvores, os pássaros, o céu cor-de-rosa. Observar, digerir, continuar.

Provavelmente, fosse isto que eu precisava: alguém que me sacudisse e mostrasse que apesar de todos os sentimentos contraditórios e confusos que venho sentindo, preciso olhar pro céu e ter a certeza de que alguma coisa bonita me aguarda.

sábado, 22 de maio de 2010

where two and two always makes up five.


Uma das poucas certezas que tenho na minha vida de solteira é: preciso ter duas ou três noites estranhas para ter uma incrível.
Quando digo “noite estranha” me refiro a acontecimentos inesperados que causam desconforto ou constrangimentos: brigas entre amigas, lugar cheio de gente suada que dança e se esfrega em você, limpar vômito alheio, pessoas que falam o que não devem e tentam forçar situações e por aí vai... Aquela noite que enquanto você volta pra casa jogada no taxi friorento pensa: “Que madrugada bizarra. Se eu tivesse dormido teria me poupado de certas coisas.” Contudo, as noites estranhas não diferem muito das incríveis no dia seguinte. Porque a realidade, meu amigo, faz questão de ser cruel.

Mesmo que você se divirta, ria até chorar, beba todas as cervejas do bar, conheça pessoas interessantes; no outro dia você vai acordar com os olhos borrados de rímel e sozinha. Inevitavelmente, ninguém vai ligar pra saber se a ressaca te visitou, se o enjôo bateu ou se você está com vontade e disposição de sair para comer o temaki número 16 do cardápio. Ou seja, a noite só foi incrível no momento em que estava acontecendo porque no dia seguinte você acordou com o rímel borrado e com a solidão como companhia.

A segunda-feira chega juntamente com as responsabilidades que tem que ser cumpridas, você relembra as noites incríveis do final de semana para dar fôlego e encarar os próximos cinco dias de bom humor. Sobrevive-se a mais uma noite estranha no final de semana seguinte, saboreia-se uma noite incrível no próximo e assim a vida noturna segue: oscilando entre noites estranhas e incríveis, mas com a certeza de que no dia seguinte vai ser inevitável acordar com a sensação de que precisa de mais.

terça-feira, 18 de maio de 2010

letargia.


Cansaço que gera impaciência que gera má vontade que gera desinteresse que gera irritação que gera grosseria que gera abuso emocional que gera vontade de gritar que gera vontade de sumir que gera desespero que gera ansiedade que gera inércia que gera insônia que gera nervosismo que gera vontade que o mundo exploda: meu estado atual.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Le Moulin.


Porque negar aquilo que se sente?
Pra que magoar com palavras vazias?
Pra que mentir repentinamente se todos sabem que não é verdade?
Mentir pra si mesmo é um grande passo para um mundo em que apenas você vive. Amar dói, ficar só dói, gostar de alguém que não gosta de você dói, alguém gostar de você e você não corresponder também dói. Na verdade tudo dói, depende apenas do ponto de vista. Tudo depende de um ponto de vista. E a saudade é sempre dolorosa, constante, pesada e demora.



http://www.youtube.com/watch?v=Hm0g5trWV9c

terça-feira, 11 de maio de 2010

para aquela que tem dois enês no nome


Há três anos, escrevi para ela que a mesma não pode ser caracterizada por palavras, pensamentos e sim, pela ausência deles, pois ela é feita da mesma matéria que são feitos os devaneios, os delírios, as loucuras. Hoje, ratifico tudo que foi escrito e acrescento que poucas amizades não se deterioram. Algumas pessoas conseguem deixar marcas irremovíveis tão profundas que se agitam, de uma maneira tão frenética, que me pego sorrindo por saber que ela é uma certeza minha. Eu poderia descrever momentos, viagens, internas, tristezas, dúvidas, almoços na quarta-feira, noites de bebedeira, arrependimentos compartilhados. Eu poderia descrever o que fizemos ao subir no palco do maior festival de rock da cidade; certo show em novembro que até hoje rende comentários, mas só a gente sabe o que, realmente, aconteceu ou a noite que ela me salvou em um pub. Todas as descrições seriam insuficientes perto do que ela me ensinou e vai ensinar.

Daqui a um mês, a aniversariante de amanhã vai me abandonar por seis meses, pois vai trocar o calor e caos de Recife pela maior cidade daquele país da bandeira branca e vermelha que tem uma folha no centro. O que me consola é a certeza de que vai ser uma experiência incrível e dará mais felicidade à alma dela.

Pra ela, aquela que tem dois enês no nome: quero desejar desde já muita luz, lucidez e pequenas doses de loucura escorrendo nas veias. A energia solar - prefiro chamar assim porque é tão forte, radiante e nunca se acaba - que você transmite pra quem está próximo, vai ser disseminada, não me restam dúvidas. Voe. Ás vezes em vez de vôo vem à queda, mas não se preocupe quanto a isso, se acontecer vou estar aqui pra tirar você do chão.
Parafraseando Caio Fernando Abreu: “Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.”